Programação

PALESTRAS:

16/jan

Introdução ao Reino Fungi: biologia, evolução e sistemática

Me. Ricardo M. Pires

Eles apodrecem seu arroz deixado na panela em cima do fogão, seu morango comprado na feira, mas também fazem seu pão crescer e sua cerveja gelada. Popularmente conhecidos como cogumelos e leveduras, os fungos representam o segundo grupo de seres vivos mais abundantes na Terra, depois dos Artrópodes. Suas características biológicas permitiram que eles se irradiassem por todos os continentes do planeta. Apresentam funções ecológicas imprescindíveis para a vida dos demais seres vivos, como seu papel decompositor, mutualístico e parasita. E, além disso, os fungos possuem uma estreita relação com o ser humano, desde seu uso culinário, industrial, como âmbito da saúde humana. 

Coleta e isolamento de fungos e organismos zoospóricos

Ma. Ana Lucia Jesus

Os fungos e organismos zoospóricos são seres heterotróficos, dependentes diretamente ou indiretamente de substrato para sua sobrevivência. Podem ser encontrados em diversos ambientes como sapróbios e/ou parasitas. O isolamento destes organismos depende principalmente das técnicas e o emprego de cuidados no momento das coletas, sendo necessários procedimentos variados dependendo do tipo do organismo, substrato onde ele se encontra e o ambiente a ser trabalhado. Contudo o principal objetivo desta palestra é apresentar as técnicas de coletas nos diferentes grupos de fungos e organismos zoospóricos, os cuidados indicados para o isolamento e a obtenção de culturas a serem utilizadas em etapas posteriores, como identificação, preservação e sequenciamento do material. 


17/jan

Coleções de culturas fúngicas e seus métodos de preservação

Ma. Marcela Boro

O contínuo isolamento de novas culturas tem nos mostrado a necessidade da manutenção destas e de suas características originais por longos períodos de tempo, cuidando para que variações genéticas não ocorram e garantindo, assim, a manutenção da biodiversidade. Em fungos, as pesquisas referentes a análise de DNA, mapeamento genético e filogenia enfatizam ainda mais esta importância. Como consequência desta necessidade, as Coleções de Culturas tornam-se essenciais, sendo estas depositárias de amostras de referência e cada vez mais responsáveis pela manutenção desses microrganismos vivos e pelo atendimento de pedidos provenientes de Instituições e Universidades nacionais e internacionais para utilização dessas culturas, seja para fins industriais, de pesquisa ou de ensino. Diversos métodos de preservação podem ser utilizados, no entanto, a variedade dos métodos recomendados e descritos na literatura, de certa forma, reflete a falta de um método que seja abrangente e satisfatório para todos os diferentes grupos de fungos. Dentre todos os métodos estudados, sempre o que for capaz de preservar a viabilidade do maior número de gêneros e espécies possível será o mais confiável, passando a ter maior preferência de utilização sobre os demais. 

Herbário e métodos de herborização

Bel. Alex A. Alcântara

Herbário é uma coleção de plantas mortas, secas e montadas de forma especial, servindo de documentação para vários fins. É utilizado nos estudos de identificação de material desconhecido, pela comparação pura e simples com outros espécimes da coleção herborizada, utilizado também para levantamento da flora de uma determinada área, entre outros. O Herbário Científico Maria Eneyda Pacheco Kauffmann Fidalgo, do Instituto de Botânica (reconhecido pela sigla SP) é mantido pelo Núcleo de Pesquisa em Micologia, o Herbário de Fungos apresenta cerca de 35 mil exsicatas. Deste total, cerca de 18 mil são basidiomicetos e 12 mil são fungos liquenizados, os demais pertence a outros grupos ou estão indeterminados. As exsicatas depois de montadas são guardados em recipientes secos e fechados, como caixa de papelão ou madeira, latas especiais, dentro de armários dedicados para tal fim. Para controle de insetos e mofos, nos armários são colocadas bolas de naftalina ou cânfora cristalizada e desumidificador. Os espécimes podem ser preservados pela simples secagem; em meios líquidos, em lâminas, para exame ao microscópio. Para informatização dos dados, o software BRAHMS 7.0 armazena os dados dos espécimes coletados, como localidade de coleta, coordenadas geográficas, altitude, coletor, imagens, além de possibilitar a confecção de mapas de distribuição geográfica.

Origem e Evolução dos fungos 

Me. Gustavo H. Jerônimo

A origem dos fungos é ainda um dos grandes mistérios que cercam os micologos. Algumas teorias foram propostas, no entanto, pouco ainda se sabe sobre a diversidade dos grupos mais primitivos. Os registros fosseis são extremamente escassos, embora as ferramentas moleculares elucidem aos poucos aspectos importantes. O cerne desta questão é entender de onde os fungos zoospóricos derivaram, se estes grupos apresentam ancestrais marinhos ou se migraram dos ambientes terrestres para os aquáticos. Além disso, é de suma importância entender os mecanismos que possibilitaram o sucesso evolutivo dos fungos, bem como, as adaptações que os tornaram tem bem-sucedidos.

Labyrinthulomycota: taxonomia e importância biotecnológica 

Ma. Marcela C. Boro

Labyrinthulomycota é um grupo de organismos "fungal-like" presente em águas marinhas, salobras, doces e em ambientes terrestres, onde atuam principalmente como importantes decompositores de detritos orgânicos ou parasitas de algas, plantas e invertebrados. Estão classificados no Reino Chromista (Straminipila pro parte), juntamente com os filos Oomycota e Hyphochytriomycota. Por serem organismos não fotossintéticos, como os fungos, e alguns deles produtores de zoósporos, como as algas, foram por diversas vezes transferidos de um reino para outro, sendo até hoje chamados de microalgas por pesquisadores presentes no setor industrial. O filo é composto por três grupos distintos, segregados por meio de características morfológicas e moleculares: Labirintulídeos, Traustoquitrídias e Aplanoquitrídias. Nos últimos anos houve um aumento no interesse em estudar representantes do grupo devido à sua capacidade de produzir grandes quantidades de lipídios, destacando-se os PUFAs (Ácidos Graxos Poliinsaturados) como o ômega 3, normalmente extraído de óleo de peixe e essencial para a saúde do ser humano. Apesar da importância e da diversidade destes organismos, apenas quatro espécies são conhecidas no Brasil, o que nos mostra escasso conhecimento do grupo no País, apesar de sua importância ecológica e econômica.

Filo Oomycota: taxonomia e importância ecológica                                       

Ma. Sarah C. O. Rocha

O filo Oomycota é composto de organismos heterotróficos que se reproduzem assexuadamente por meio da produção de zoósporos biflagelados, sendo considerados dentro do reino Straminipila. São similares aos fungos no que se refere ao modo nutricional, habitat e morfologia, no entanto, não possuem relação filogenética com os mesmos. São encontrados em água doce ou marinha, e no solo, desempenhando importante papel como sapróbios na degradação de substratos orgânicos em uma ampla variedade de ecossistemas. Algumas espécies são registradas como parasitas de diferentes organismos, tais como algas, plantas, peixes, anfíbios e mamiferos, inclusive do homem. Saprolegniose e pitiose são exemplos de doenças causadas por oomicetos pertencentes às ordens Saprolegniales e Pythiales, respectivamente. A taxonomia dentro do filo Oomycota é baseada principalmente nas características do ciclo reprodutivo das espécies. Embora seja pequeno o número de pesquisadores atuando com o filo Oomycota no Brasil, grande diversidade de espécies são registradas, especialmente no bioma Mata Atlântica. 

 

18/jan

Taxonomia, sistemática e ecologia de Chytridiomycota (sensu lato) 

Ma. Ana Lucia Jesus

Chytridiomycota s. lat. é um filo pertencente ao Reino Fungi, cujo representantes possuem como principal similaridade a produção de esporos móveis (zoósporos), com um único flagelo liso, posteriormente inserido. São seres microscópicos com alta plasticidade morfológica, apresentando desde talo monocêntrico a micelial, presença ou ausência de opérculo para liberação dos zoósporos, zoosporângios que produzem esporos assexuados e estruturas de resistência com origem sexuada ou assexuada. Os representantes desses filos são considerados cosmopolitas, podendo ser encontrados nos ecossistemas aquáticos e terrestres, como sapróbios e/ou parasitas. Contudo o principal objetivo desta palestra é apresentar as principais características do filo Chytridiomycota s. lat., sua colocação dentro do Reino Fungi e sua atuação nos diferentes ecossistemas.

Diversidade, filogenia e importância dos Zigomycota sensu lato e Glomeromycota     

 Me. Gustavo H. Jerônimo

Os representantes dos filos Zygomycota sensu lato e Glomeromycota são grupos de fungos ecologicamente heterogêneos e que tem passado por inúmeras modificações na classificação devido a análises de sequências de DNA. Os membros de Zygomycota sensu lato são considerados uma linhagem divergente primitiva, pois faltam estruturas de frutificação complexas e a maioria dos representantes possuem hifas asseptadas em parte do ciclo de vida. Estão atualmente classificados em 4 agrupamentos distintos, os quais, foram segregados a partir de análises moleculares. Representantes destes agrupamentos podem ser observados cotidianamente em pães e frutas emboloradas, embora alguns sejam benéficos, tais como Rhizopus, usado em vários alimentos fermentados tradicionais. No entanto, a maioria das espécies são consideradas sapróbias e algumas podem atuar como patógenos facultativos de plantas, animais (incluindo humanos) ou mesmo outros fungos. Já os membros do filo Glomeromycota englobam os fungos micorrízicos arbusculares. Estes organismos formam associações simbióticas com raízes de plantas e foram essencias para a conquista e sucesso das plantas no ambiente terrestre. Estes organismos são capazes de aumentar a capacidade de absorção de nutrientes pelas plantas, desempenhando importante papel no equilíbrio dos ecossistemas terrestres, atuando na definição de nichos ecológicos e na determinação da composição das comunidades vegetais.    

Taxonomia e principais características do grupo ecológico dos Hyphomycetes aquáticos

Dra. Larissa Moro

Hyphomycetes aquáticos são fungos anamórficos que se caracterizam pela formação exclusiva de conidióforos e conídios livres ou agrupados, em sinemas ou esporodóquios. É um grupo ecológico de fungos que consistem do estado assexuado de Ascomycota e de alguns Basidiomycota. O objetivo desta aula é dar um panorama dos quatro grupos ecológicos de Hyphomycetes de ambientes aquáticos: fungos ingoldianos, fungos aeroaquáticos, fungos aquáticos terrestres e fungos aquáticos facultativos.

Taxonomia, sistemática e ecologia de Ascomycota

Dra. Larissa Moro

O filo Ascomycota é, de longe, o maior grupo de fungos. Estima-se que existam mais de 32000 espécies em aproximadamente 3400 gêneros. O nome é derivado das palavras gregas askos (garrafa de couro, bolsa ou bexiga) e mykes (fungo), assim ascomycetes são fungos que formam estruturas reprodutivas em forma de saco, denominadas ascos. Serão exploradas nesta aula as principais características taxonômicas do filo Ascomycota.

 

19/jan

Taxonomia e Sistemática de Agaricomycetes incertae sedis (Corticiales, Hymenochaetales e Polyporales)

Ma. Viviana Motato-Vásquez

Com o desenvolvimento de novas análises morfológicas e de biologia molecular, o grupo AFTOL (Assembling the Fungal Tree of Life) vem realizando diferentes estudos filogenéticos que têm alterado substancialmente a classificação do reino Fungi. Nas filogenias modernas, à classe Agaricomycetes Doweld, se encontra dividida em 10 ordens, sendo as mais importantes em número as ordens Corticiales., com aproximadamente uma família, 29 gêneros e 136 espécies, Hymenochaetales Oberw., com três famílias, 50 gêneros e 610 espécies, e Polyporales Gäum, com 13 famílias, aproximadamente 216 gêneros e 1801 espécies (Kirk et al. 2008). Estes grupos de fungos tem um papel fundamental na ciclagem de nutrientes e energia nos ecossistemas devido a sua capacidade para degradar os compostos da parece celular vegetal. Porém ainda há muito para se conhecer sobre este grupo de fungos principalmente na região Neotropical e especificamente na Mata Atlântica brasileira, uma das áreas mais diversa e mais ameaçada do planeta devido à alta fragmentação de hábitat e deflorestação.

Sistemática e taxonomia de Agaricales 

Bel. Luiz Antonio Silva Ramos

A ordem Agaricales representa o grupo de fungos popularmente conhecido como cogumelos e, tradicionalmente, é conhecida por conter somente fungos cujo basidioma é formado por estipe, píleo e lamelas. Entretanto, estudos moleculares recentes demonstram que alguns fungos com basidiomas gasteroides, clavarioides, secotioides ou com himênio poroides também pertençam a esta ordem. Tais cogumelos podem ser terrestres, lignícolas, às vezes muscícolas ou fungícolas; sapróbios, micorrízicos, parasitas de plantas e de outros fungos; comestíveis, venenosos ou até mesmo alucinógenos. Esta aula abordará um esboço sobre o contexto histórico de Agaricales e sua diversidade, evidenciando os principais caracteres morfológicos que definem o grupo.

A micologia na era da tecnologia

Ma. Viviana Motato-Vásquez 

O desenvolvimento científico e tecnológico e de telecomunicações do último século tem permitido o avanço do conhecimento micológico de forma exponencial, é por isso que se conhece como uma simbioses ou interdependência entre ciência e tecnologia. Ao longo da história, os conhecimentos técnicos tem aportado informação básica para o desenvolvimento da ciência e suas diferentes especialidades, porem como científicos é nossa responsabilidade conhecer todas estas ferramentas tecnológicas e dar um uso apropriado e crítico a cada uma, discutindo sobre seu impacto no conhecimento da biodiversidade, dos recursos naturais e incluso nas condições sociais.


20/jan

Ecologia de fungos

Me. Ricardo M. Pires

Onde vivem? De que se alimentam? Tamanha é a plasticidade em habitats dos fungos que os estudos em ecologia desse grupo ainda são uma caixa-preta para a micologia. São inúmeras as questões que vão desde as possibilidades de dispersão dos esporos, as interações entre as espécies nos mais diversos substratos, a velocidade com que a evolução ocorre, as interações com os demais grupos de seres vivos, entre muitas outras perguntas. De todas essas possibilidades, esses microrganismos representam um elo fundamental da vida na Terra. Conhecer essas interações e comportamentos são de grande importância para entendermos os processos naturais e, por que não, sua potencial utilidade na sociedade humana.